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CATARINENSE, BRASILEIRA, LATINA... AGORA FAREI DAS PALAVRAS DE PAULO FREIRE, AS MINHAS... "MINHA FLORIANÓPOLICIDADE EXPLICA MINHA CATARINIDADE,QUE ESTA ESCLARECE MINHA SULINIDADE QUE, POR SUA VEZ, CLAREA MINHA BRASILIDADE, MINHA BRASILIDADE ELUCIDA MINHA LATINO-AMERICANIDADE E ESTA ME FAZ UMA MULHER DO MUNDO"
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

terça-feira, 16 de novembro de 2010

PORTA TRECOS

Festa do Amanhecer

Todos os dias se apresentam como festa
Para alegrar os nossos corações e vida
Trazendo em raios dourados cheia cesta
De cantos dos pássaros nas avenidas!

O Amanhecer faz a festa com nossa Vida
Borboletas voejam plenas de amor
Beijando cada flor, em oração, agradecida
Buscando mostrar amor ao seu agressor!

O Amanhecer faz festa pela criança
Que acorda dizendo: bom dia, mamãe,
Mostrando de Deus, em nós, a confiança!

A festa do amanhecer nos trás lembrança
Da gratidão pela natureza Mãe
Doada por Deus que é nossa liderança.

Marlene Veira Aragão

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

MINI CESTINHAS

o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa

Guimarães Rosa





verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota

Guimarães Rosa

BALDINHOS


mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho...

Guimarães Rosa

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

CESTINHA OVAL


A bailarina


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Cecília Meireles

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

CESTINHA BRANCA



No corpo feminino, esse retiro

No corpo feminino, esse retiro
— a doce bunda — é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
pois tanto mais a apalpo quanto a miro.

Que tanto mais a quero, se me firo
em unhas protestantes, e respiro
a brisa dos planetas, no seu giro
lento, violento... Então, se ponho e tiro

a mão em concha — a mão, sábio papiro,
iluminando o gozo, qual lampiro,
ou se, dessedentado, já me estiro,

me penso, me restauro, me confiro,
o sentimento da morte eis que o adquiro:
de rola, a bunda torna-se vampiro.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CESTO VERDE



Luz do sol,
que a folha traga e traduz,
Em verde novo, em folha, em graça, em vida, em força, em luz
Céu azul, que vem até onde os pés
Tocam a terra e a terra inspira e exala os seus azuis
Reza, reza o rio, córrego pro rio, o rio pro mar
Reza a correnteza, roça, beira, doura a areia
Marcha o homem sobre o chão, leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza
A coisa mais querida, a glória da vida

Luz do sol,
que a folha traga e traduz,
Em verde novo, em folha, em graça, em vida, em força, em luz.

Caetano Veloso

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CESTINHA





O rio que fazia uma volta
atrás da nossa casa
era a imagem de um vidro mole...

Passou um homem e disse:
Essa volta que o rio faz...
se chama enseada...

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.

Manoel de Barros

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

CESTA


Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

COELHINHO DA PÁSCOA


EU QUERO É TEU CALOR ANIMAL
"Mas onde já se ouviu falar num amor á distância,
Num teleamor ?!
Num amor de longe…
Eu sonho é um amor pertinho…
E depois
Esse calor humano é uma coisa que todos - até os executivos têm
É algo que acaba se perdendo no ar
No vento
No frio que agora faz…
Escuta!
O que eu quero
O que eu amo
O que eu desejo em ti
È teu calor animal… "

Mário Quintana

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

CESTINHO BRANCO


Rápido e Rasteiro

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.



aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.

Chacal

COELHINHO


Sentado e sorrindo,
que faz o menino cego
na Festa das Flores?

Izo Goldman

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

OVO



OLHA PRO CÉU
Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo
Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xóte, baião no salão
E no terreiro
O teu olhar, que incendiou
Meu coração.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

PORTA VASO

Branco instante
entre verde e azul:
garça ou pensamento.

Yeda Prates Bernis



Teu azul profundo,
nos olhos do cristal tímido,
cintila o mundo

Fred Matos

VASO E CESTO

Saudade do que fiz.
Saudade do que não fiz.
Não sei qual delas dói mais.

Valter da Rosa Borges

Nem o ácido do tempo
dissolve a dura saudade
em que o amor se tornou.

Valter da Rosa Borges

sexta-feira, 9 de julho de 2010

VIVA A PÁSCOA

DA FELICIDADE
Quantas vezes a gente,em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!

Mário Quintana








FRUTEIRA

Jardim

Negro jardim onde violas soam
e o mal da vida em ecos se dispersa:
à toa uma canção envolve os ramos
como a estátua indecisa se reflete

no lago há longos anos habitado
por peixes, não, matéria putrescível,
mas por pálidas contas de colares
que alguém vai desatando, olhos vazados




e mãos oferecidas e mecânicas,
de um vegetal segredo enfeitiçadas,
enquanto outras visões se delineiam

e logo se enovelam: mascarada,
que sei de sua essência (ou não a tem),
jardim apenas, pétalas, presságio

Carlos Drummond de Andrade

CESTINHA

VÊNUS II

Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
- Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.

E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
- Ó fúlgida visão, linda mentira!

Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

Camilo Pessanha

CITAÇÃO