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CATARINENSE, BRASILEIRA, LATINA... AGORA FAREI DAS PALAVRAS DE PAULO FREIRE, AS MINHAS... "MINHA FLORIANÓPOLICIDADE EXPLICA MINHA CATARINIDADE,QUE ESTA ESCLARECE MINHA SULINIDADE QUE, POR SUA VEZ, CLAREA MINHA BRASILIDADE, MINHA BRASILIDADE ELUCIDA MINHA LATINO-AMERICANIDADE E ESTA ME FAZ UMA MULHER DO MUNDO"
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

CAPA DE VENTILADOR


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

AVENTAL E CAPA DE LIVRO DE RECEITAS







Arte de Amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

JOGO PARA A COZINHA




Beijo pouco, falo menos ainda
Mas invento palavras
Que traduzem a ternuar mais funda
E mais cotidiana
Inventei, por exemplo, o verdo teadorar
Intransitivo: Teadoro, Teodora

Manuel Bandeira









CAPA PARA GALÃO



BRISA

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixaras aqui tua filha, tua avo, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor tambem.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

Manoel Bandeira

CAPA E TAPETE AMARELO

POÉTICA
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis





Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.






Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.

- Não quero saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira

terça-feira, 24 de agosto de 2010

PESO DE PORTA E EMBALAGEM


Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanha pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina.

Paulo Freire

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PORTA CELULAR

Oh! Páginas da vida que eu amava



Oh! Páginas da vida que eu amava,

Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado! ...

Ardei, lembranças doces do passado!

Quero rir-me de tudo que eu amava!



E que doudo que eu fui! como eu pensava

Em mãe, amor de irmã! em sossegado

Adormecer na vida acalentado

Pelos lábios que eu tímido beijava!











Embora — é meu destino.Em treva densa

Dentro do peito a existência finda

Pressinto a morte na fatal doença!



A mim a solidão da noite infinda!

Possa dormir o trovador sem crença

Perdoa minha mãe - eu te amo ainda!
Álvares de Azevedo

PORTA CELULAR



Exausto



Eu quero uma licença de dormir,

perdão pra descansar horas a fio,

sem ao menos sonhar

a leve palha de um pequeno sonho.

Quero o que antes da vida

foi o sono profundo das espécies,

a graça de um estado.

Semente.

Muito mais que raízes.

Adélia Prado



PORTA CELULAR




"De noite, na cama, eu fico pensando
Se você me ama, e quando
Se você me ama, eu fico pensando
De noite, na cama, e quando
De dia eu faço graça pra não dar bandeira não deixo você ver
De dia tudo passa como brincadeira
Por longe de você
Por onde você mora, pára e se demora
Por hora não vou ter coragem de dizer
Mas há de haver a hora
Se você for embora, agora... "

("De noite, na cama" -Caetano Veloso)



quarta-feira, 21 de julho de 2010

JOGO DE COZINHA

Soneto a quatro-mãos

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Vinícius de Moraes






sexta-feira, 16 de julho de 2010

AGENDA

SONETO DE FIDELIDADE

Entre todas as mulheres que eu amei,
Deus deixou que tu viesses pra ficar...
O teu nome em minha agenda eu anotei,
Em meu peito, todavia, é o teu lugar!


É do lado onde está meu coração,
É aqui mesmo que, pra sempre, irás quedar:
Uma agenda é um lugar sem emoção,
Em meu peito poderás me acompanhar!



Mundo afora, aonde eu for, irás comigo,
Testemunha de um indômita paixão,
Deste amante que em sonhos vai contigo!



No meu peito, bem aqui é o teu lugar,
Pois aqui tu ouvirás meu coração,
Que por ti, só por ti, vive a pulsar!

ELIZEU PETRELLI DE VITOR

quarta-feira, 14 de julho de 2010

TUDO AZUL NA COZINHA

Flutuar

Canta o poeta o fato de que a lua,
"No inebriante azul do firmamento,"
Flutua, como a pena solta ao vento;
Folhas em movimento, sobre a rua.


Aves, insetos, têm também a sua
Graça de flutuar por um momento.
A música, a poesia, o pensamento,
Recordam que o amor também flutua.



Flutuam sóis, planetas e asteriscos,
No mágico tapete do universo,
Como um balão que, em nuvens já submerso,


Escapa da gaivota, evita os riscos.
Extra-terrestres planam em seus discos;
Terrestres, na expressão daquele verso.

Bernardo Trancoso

CAPA PARA BOTIJÃO

Quando se vir com água o fogo arder,
e misturar co dia a noite escura,
e a terra se vir naquela altura
em que se vem os Céus prevalecer;

o Amor por razão mandado ser,
e a todos ser igual nossa ventura,
com tal mudança, vossa formosura
então a poderei deixar de ver.



Porém não sendo vista esta mudança
no mundo (como claro está não ver-se),
não se espere de mim deixar de ver-vos.

Que basta estar em vós minha esperança,
o ganho de minha alma, e o perder-se,
para não deixar nunca de querer-vos.

Luis de Camões

CITAÇÃO