Quem sou eu

Minha foto
CATARINENSE, BRASILEIRA, LATINA... AGORA FAREI DAS PALAVRAS DE PAULO FREIRE, AS MINHAS... "MINHA FLORIANÓPOLICIDADE EXPLICA MINHA CATARINIDADE,QUE ESTA ESCLARECE MINHA SULINIDADE QUE, POR SUA VEZ, CLAREA MINHA BRASILIDADE, MINHA BRASILIDADE ELUCIDA MINHA LATINO-AMERICANIDADE E ESTA ME FAZ UMA MULHER DO MUNDO"
Mostrando postagens com marcador MANTA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MANTA. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DOCES SONHOS


Enigma

Misterioso olhar que me conquista
E adentra pelos sonhos, inclusive,
Desde o primeiro dia em que lhe tive
Dentro do peito meu, de sonetista.

Enigma que me fez perder de vista
As dores de outro amor, e sobrevive,
Deixando esse aprendiz de detetive
Atordoado e sem nenhuma pista.

O que há detrás daqueles olhos sérios
Que, ao mesmo tempo, pedem atenção
Negando recebê-la... será medo?

Prefiro a vida cheia de mistérios
Do que ter um (como esse) ao coração.
- Então me diz, mulher, qual o segredo?

Bernardo Trancoso

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

COLCHA



No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

Cecília Meireles

JOGO AMERICANO


DESEJOS

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 24 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

COLCHA ENCANTADORA

manha
Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.



A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outr


os que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem





Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

COBERTOR

Aperta meu peito
o inverno que não chegou:
amigo esperado.
Yberê Líbera



Chove em minha solidão ,
este vapor que sobe do chão
é ainda teu calor.
J.G. de Araujo Jorge



Ah, mosca de inverno
- questão de dia ou de hora -
seu último instante?
H. Masuda Goga



No coração do inverno -
a única folha no ramo
luta contra o vento
Stefan Theodoru

PONCHO

brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

Carlos Seabra



Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.

William Shakespeare
Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

Guilherme de Almeida

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

COLCHA COLORIDA

A Camões

Quando n'alma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil trizteza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.



E enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,



Não morrerá, sem poetas nem soldados,
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões assinalados.

Manuel Bandeira

quinta-feira, 29 de julho de 2010

MANTA VERDE




O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto de neve fria, e em mim converte em choro um doce canto. E afora este mudar-se a cada dia, outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soia.

Luis Vaz de Camões

quarta-feira, 28 de julho de 2010

MANTA



Suave é tua memória
Quando pousa em minha lei
Doce foi a trajetória...
E mais que isso, não sei.

Cristina Faraon

domingo, 25 de julho de 2010

MANTINHAS PARA SOFÁ

A Camões

Quando n'alma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil trizteza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.



E enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões assinalados.

Manuel Bandeira

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MANTAS PARA O SOFÁ

FÓRMULA

Gostaria de ser grande, no verdadeiro sentido da palavra,
poder criar uma fórmula, eliminar a dor, todo sofrimento,
penso demais, é quase loucura, situação quase escrava,
quem dera, uma simples mortal, é pouco meu conhecimento.

Sentada no sofá, eu tento a solução encontrar, não entendo,
tudo tão complicado, até multiplicado, sentimento vazio,
penso muito, tento compreender, porém nada compreendo,
a vida parece novela mexina e, quem aplaudiu?



Todos nós somos protagonistas na vida de alguém,
que muitas vezes nada tem e vive sem ninguém,
a novela começa, fica no papel, é o destino de cada um!

Será que é assim mesmo, tudo começa e não continua,
são muitas pessoas em busca de um novo capítulo,
ou, será em outra fase a continuação, acredito, só no infinito!

JÔ POETISA

sexta-feira, 9 de julho de 2010

MANTA


SONETO

Floriram por engano as rosas bravas
No inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...



Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze - quanta flor! - do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Camilo Pessanha

MANTA LISTRADA


Velha Anedota

Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:


- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? -

Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: - Juízo. -

Artur Azevedo

quinta-feira, 8 de julho de 2010

MANTA PARA SOFÁ



Walking Around

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

Pablo Neruda

quarta-feira, 7 de julho de 2010

XALE PARA O SOFÁ




De cara lavada





hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos

Martha Medeiros

CITAÇÃO