Quem sou eu

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CATARINENSE, BRASILEIRA, LATINA... AGORA FAREI DAS PALAVRAS DE PAULO FREIRE, AS MINHAS... "MINHA FLORIANÓPOLICIDADE EXPLICA MINHA CATARINIDADE,QUE ESTA ESCLARECE MINHA SULINIDADE QUE, POR SUA VEZ, CLAREA MINHA BRASILIDADE, MINHA BRASILIDADE ELUCIDA MINHA LATINO-AMERICANIDADE E ESTA ME FAZ UMA MULHER DO MUNDO"
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quinta-feira, 19 de maio de 2011

JOGO AMERICANO


Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Vinícius de Moraes

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PORTA GUARDANAPOS

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PORTA GUARDANAPO DE FLOR


olhos felinos
e um corpo de mulher -
cuidado meninos!

Carlos Seabra

PORTA GUARDANAPO DE FLOR


Os quinze anos de uma alma transparente,
O cabelo castanho, a face pura,
Uns olhos onde pinta-se a candura
De um coração que dorme, inda inocente...

Um seio que estremece de repente
Do mimoso vestido na brancura...
A linda mão na mágica cintura...
E uma voz que inebria docemente...

Um sorrir tão angélico, tão santo...
E nos olhos azuis cheios de vida
Lânguido véu de involuntário pranto...

É esse o talismã, é essa a Armida,
O condão de meus últimos encantos,
A visão de minh'alma distraída!

Álvares de Azevedo

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ENFEITES DE CORAÇÃO


Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 31 de agosto de 2010

PORTA GUARDANAPO DE NATAL


O mundo é uma bola de fogo,
que quiema a esperança do fraco,
e aquece a luta do persistente,

William Durães

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ENFEITES



Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.

Cecília Meireles

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

PORTA GUARDANAPO DE NATAL

Amor



O ser busca o outro ser,

e ao conhecê-lo acha a razão de ser, já dividido.

São dois em um: sublime selo que à vida imprime cor, graça e sentido.

"Amor" - eu disse -

e floriu uma rosa embalsamando a tarde melodiosa

no canto mais oculto do jardim,

mas seu perfume não chegou a mim.

Drummond

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PORTA GUARDANAPO


Natureza Íntima

( Ao filósofo Farias Brito)


Cansada de observar-se na corrente

Que os acontecimentos refletia,

Reconcentrando-se em si mesma, um dia,

A Natureza olhou-se interiormente!

Baldada introspecção!

Normenalmente

O que Ela, em realidade, ainda sentia

Era a mesma imortal monotonia

De sua face externa indiferente!

Augusto dos Anjos

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PORTA COPOS E GUARDANAPOS

ESTE LIVRO

Este livro é de mágoas.Desgraçados os
Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados
Pode, talvez, senti-lo...e compreendê-lo.

Este livro é para vós. Abençoados
Os que o sentirem, sem ser bom nem belo!
Bíblia de tristes...Ó Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!



Livro de Mágoas...Dores...Ansiedades!
Livro de Sombras...Névoas e Saudades!
Vai pelo mundo...(Trouxe-o no meu seio...)

Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,
Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Lendo o meu livro só de mágoas cheio!...

Florbela Espanca

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

PORTA GUARDANAPO



Naquela Mesa Nelson Gonçalves

NAQUELA MESA ELE SENTAVA SEMPRE
E ME DIZIA SEMPRE O QUE É VIVER MELHOR
NAQUELA MESA ELE CONTAVA HISTÓRIAS
QUE HOJE NA MEMÓRIA EU GUARDO E SEI DE COR

NAQUELA MESA ELE JUNTAVA A GENTE
E CONTAVA CONTENTE O QUE FEZ DE MANHÃ
E NOS SEUS OLHOS ERA TANTO BRILHO
QUE MAIS QUE SEU FILHO EU FIQUEI SEU FÃ

EU NÃO SABIA QUE DOÍA TANTO
UMA MESA NUM CANTO UMA CASA E UM JARDIM
SE EU SOUBESSE QUANTO DÓI A VIDA
ESSA DOR TÃO DOÍDA NÃO DOÍA ASSIM

AGORA RESTA UMA MESA NA SALA E HOJE NINGUÉM MAIS FALA NO SEU BANDOLIM
NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE,
E SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM
NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE,
E SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM

AGORA RESTA UMA MESA NA SALA E HOJE NINGUÉM MAIS FALA NO SEU BANDOLIM
NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE,
E SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM
NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE,
E SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM

EU NÃO SABIA QUE DOÍA TANTO UMA MESA NUM CANTO
UMA CASA E UM JARDIM
SE EU SOUBESSE QUANTO DÓI A VIDA ESSA DOR TÃO DOÍDA NÃO DOÍA ASSIM
AGORA RESTA UMA MESA NA SALA E HOJE NINGUÉM MAIS FALA NO SEU BANDOLIM
NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE,
E SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM
NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE,
E SAUDADE DELE TÁ DOENDO EM MIM

TÁ DOENDO EM MIM...


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PORTA GUARDANAPO - NATAL

Ai, quem me dera

Ai quem me dera, terminasse a espera
E retornasse o canto simples e sem fim...
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim





Ai quem me dera percorrer estrelas
Ter nascido anjo e ver brotar a flor
Ai quem me dera uma manhã feliz
Ai quem me dera uma estação de amor

Ah! Se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem ser casais



Ai quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afins
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim




Ai quem me dera ouvir o nunca mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E finda a espera ouvir na primavera
Alguem chamar por mim...

Vinícius de Moraes

sexta-feira, 23 de julho de 2010

PORTA GUARDANAPOS E TOALHA DE NATAL

Aniversário é uma festa
Pra te lembrar
Do que resta.

Millôr Fernandes


Adestrei-me com o vento e minha festa é a tempestade.

Cecília Meireles



Sentado e sorrindo,
que faz o menino cego
na Festa das Flores?

Izo Goldman



Começo de chuva...
A tempestade faz festa,
no meio da rua.

Humberto del Maestro





Festa chega ao fim.
Beijos sobram na bandeja.
Todos de amendoim!...

Flora Figueiredo

PORTA GUARDANAPOS

No azul do mar
golfinhos saltam -
parecem brincar

Eugénia Tabosa



o azul mais azul
além do cetim da safira
e do lápis-lazúli

Cláudio Daniel



De púrpura, seu mergulho
no aquário. No coração,
o mais antigo azul.

Yeda Prates Bernis




descansar na tua paz
(é tudo azul no infinito)
um tombo para o precipício

Goulart Gomes

quarta-feira, 14 de julho de 2010

SUAVIDADE PARA A MESA


Vem despontando a aurora, a noite morre,
Desperta a mata virgem seus cantores,
Medroso o vento no arraial das flores
Mil beijos furta e suspirando corre.

Estende a névoa o manto e o val percorre,
Cruzam-se as borboletas de mil cores,
E as mansas rolas choram seus amores
Nas verdes balsas onde o orvalho escorre.

E pouco a pouco se esvaece a bruma,
Tudo se alegra à luz do céu risonho
E ao flóreo bafo que o sertão perfuma.

Porém minh'alma triste e sem um sonho
Murmura olhando o prado, o rio, a espuma:
Como isto é pobre, insípido, enfadonho!

Fagundes Varela

sexta-feira, 9 de julho de 2010

PORTA TALHERES



TUDO PASSA - I

Aquela moça graciosa e bela
Que passa sempre de vestido escuro
E traz nos lábios um sorriso puro,
Triste e formoso como os olhos dela...

Diz que su'alma tímida e singela
Já não tem coração: que o mundo impuro
Para sempre o matou... e o seu futuro
Foi-se n'um sonho, desmaiada estrela.

Ela não sabe que o desgosto passa
Nem que do orvalho a abençoada graça
Faz reviver a planta que emurchece.

Flávia! nas almas juvenis, formosas,
Berço sagrado de jasmins e rosas,
O coração não morre: ele adormece...

Auta de Souza

PORTA GUARDANAPO DE NATAL

PARA QUE SERVE A POESIA?

De servir-se utensílio dia a dia
utilidade prática aplicada,
o nada sobre o nada anula o nada
por desvendar mistério na magia.

O sonho em fantasia iluminada
aqui se oferta em módica quantia
por camelôs de palavras aladas
marreteiros de mansa mercancia.

De pagamento, apenas um sorriso
de nuvens, uma fatia de grama
de orvalho e o fugaz fulgor de astro arisco.
Serena sentença em sina servida,

seu valor se aquilata e se esparrama
na livre chama acesa de quem ama.

Anibal Beça


CITAÇÃO