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CATARINENSE, BRASILEIRA, LATINA... AGORA FAREI DAS PALAVRAS DE PAULO FREIRE, AS MINHAS... "MINHA FLORIANÓPOLICIDADE EXPLICA MINHA CATARINIDADE,QUE ESTA ESCLARECE MINHA SULINIDADE QUE, POR SUA VEZ, CLAREA MINHA BRASILIDADE, MINHA BRASILIDADE ELUCIDA MINHA LATINO-AMERICANIDADE E ESTA ME FAZ UMA MULHER DO MUNDO"
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

PORTA COPOS

Flor de Caverna

Fica às vezes em nós um verso a que a ventura
Não é dada jamais de ver a luz do dia;
Fragmento de expressão de idéia fugidia,
Do pélago interior bóia na vaga escura.

Sós o ouvimos conosco; à meia voz murmura,
Vindo-nos da consciência a flux, lá da sombria
Profundeza da mente, onde erra e se enfastia,
Cantando, a distrair os ócios da clausura.

Da alma, qual por janela aberta par e par,
Outros livre se vão, voejando cento e cento
Ao sol, à vida, à glória e aplausos. Este não.

Este aí jaz entaipado, este aí jaz a esperar
Morra, volvendo ao nada, - embrião de pensamento
Abafado em si mesmo e em sua escuridão.

Alberto de Oliveira


TOALHINHAS





Afrodite I

Móvel, festivo, trépido, arrolando,
À clara voz, talvez da turba iriada
De sereias de cauda prateada,
Que vão com o vento os carmes concertando,

O mar, - turquesa enorme, iluminada,
Era, ao clamor das águas, murmurando,
Como um bosque pagão de deuses, quando
Rompeu no Oriente o pálio da alvorada.

As estrelas clarearam repentinas,
E logo as vagas são no verde plano
Tocadas de ouro e irradiações divinas;

O oceano estremece, abrem-se as brumas,
E ela aparece nua, à flor de oceano,
Coroada de um círculo de espumas.

Alberto de Oliveira

MINI TOALHINHA


O homem e a mulher

O homem é capaz de todos
os heroísmos,a mulher
de todos os matírios
O homem é código,
a mulher o evangelho
O código corrige,
o evangelho aperfeiçoa!
O homem é o templo,
a mulher o sacrário
Ante o templo nós descobrimos;
ante o sacrário ajoelhamo-nos!
O homem pensa,
a mulher sonha
Pensar é ter cérebro,
sonhar é ter na frente uma auréola!
O homem é um oceano,
a mulher um lago
O oceano tem a pérola que o
embeleza,
o lago tem a poesia
que o deslumbra!
O homem é a águia que voa,
a mulher o rouxinol que canta!
Voar é dominar o espaço,
cantar é conquistar a alma!
O homem tem um farol: a experiência,
a mulher tem uma estrela: a esperança
O farol guia,
a esperança salva!
Enfim,o homem está colocado
onde termina a terra,
a mulher onde começa o céu!

Victor Hugo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

AMOR COM CAFÉ



Vaso Chinês

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.

Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.

Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?... de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.

Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.

Alberto de Oliveira

MINI TOALHINHA

A Vingança da Porta

Era um hábito antigo que ele tinha:
Entrar dando com a porta nos batentes.
- Que te fez essa porta? a mulher vinha
E interrogava. Ele cerrando os dentes:

- Nada! traze o jantar! - Mas à noitinha
Calmava-se; feliz, os inocentes
Olhos revê da filha, a cabecinha
Lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.

Urna vez, ao tornar à casa, quando
Erguia a aldraba, o coração lhe fala:
Entra mais devagar... - Pára, hesitando...

Nisto nos gonzos range a velha porta,
Ri-se, escancara-se. E ele vê na sala,
A mulher como doida e a filha morta.

Alberto de Oliveira

COPOS EM FLOR


Façamos da interrupção um caminho novo.
Da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte, da procura um encontro!

Fernando Sabino

quarta-feira, 18 de maio de 2011

GIRASSOL


DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mário Quintana

COPOS E FLORES

DA FELICIDADE
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!

Mário Quintana


DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

Mário Quintana

PORTA COPOS


Amizade é quando você
não faz questão de você
e se empresta aos outros.

Adriana Falcão

PORTA COPOS DE COLEHINHO


Gota de orvalho
na coroa dum lírio:
Jóia do tempo.

Érico Veríssimo

quinta-feira, 12 de maio de 2011

PORTA COPOS




De noite, como
a luz é pouca,
a gente tem impressão
de que o tempo não passa
ou pelo menos não escorre
como escorre de dia

Ferreira Gullar

terça-feira, 16 de novembro de 2010

PORTA COPOS

As Pombigna

P'ru aviadore chi pigó o tombo

Vai a primiéra pombigna dispertada,
I maise otra vai disposa da primiéra;
I otra maise, i maise otra, i assi dista maniera,
Vai s'imbora tutta pombarada.

Pássano fóra o dí i a tardi intêra,
Catáno as formiguigna ingoppa a strada;
Ma quano vê a notte indisgraziada,
Vorta tuttos in bandos, in filêra.

Assi tambê o Cicero avua,
Sobí nu spaço, molto alê da lua,
Fica piqueno uguali d'un sabiá.

Ma tuttos dia avua, allegre, os pombo!...
Inveis chi o Muque, desdi aquilio tombo,
Nunga maise quiz sabe di avuá.

Juó Bananére

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PORTA VASOS E COPOS


Subi ladeira nas "carreira"
Te amei desfiladeiro abaixo
Encalacrei no lodo, na lama
Na areia movediça da carícia humana

Djavan

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PORTA COPOS NATALINOS

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Chico Buarque

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CITAÇÃO